O que é, e para que serve a Usabilidade?

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A Usabilidade é o resultado da Interação Humano-Computador (IHC) e faz parte da Engenharia de Software, carregando esse legado ao longo de sua evolução, podendo ser definida como o grau de facilidade com que o usuário consegue interagir com determinada interface. Podemos considera-la a base da pirâmide que sustenta o projeto de uma aplicação com boa experiência de uso. Neste artigo, veremos brevemente o que faz parte do conceito de usabilidade e qual o papel que ela tem no processo de desenvolvimento de aplicações.

Partindo da IHC, a usabilidade aborda a forma como o usuário se comunica com a máquina e como a tecnologia responde à interação do usuário, considerando as seguintes habilidades:
– Facilidade de aprendizado: a utilização do sistema requer pouco treinamento;
– Fácil de memorizar: o usuário deve lembrar como utilizar a interface depois de algum tempo;
– Maximizar a produtividade: a interface deve permitir que o usuário realize a tarefa de forma rápida e eficiente;
– Minimizar a taxa de erros: caso aconteçam erros, a interface deve avisar o usuário e permitir a correção de modo fácil;
– Maximizar a satisfação do usuário: a interface deve dar-lhe confiança e segurança.

Deve ser englobada pela engenharia de software (desenvolvimento), principalmente no que tange à qualidade e visa garantir uma parte da eficiência e eficácia do sistema. A eficiência refere-se a uma interação produtiva entre o usuário e o sistema, permitindo a realização de tarefas com menor esforço sob uma experiência agradável. A eficácia pode ser entendida como a capacidade do sistema e da interface possibilitarem ao usuário completar suas tarefas e alcançar seus objetivos no sistema.

A importância da usabilidade no desenvolvimento de projetos

A usabilidade se encaixa em qualquer tipo de projeto de interface, tendo amplitude diferente de acordo com a criticidade do projeto, ou seja, quanto mais crítico for o sistema, maiores serão as perdas caso ele não seja de fácil utilização e proporcione satisfação. Ela deve ser pensada desde o planejamento do projeto, até a etapa de desenvolvimento e testes.

As empresas atualmente têm consciência da importância da usabilidade. Porém, muitas ainda a veem como um fator relevante e que só deve ser levado em conta se houver tempo e recursos. A experiência ao longo dos anos em se tratando de uso de software, mostra que dependendo da frequência com que o aplicativo ou interface é utilizado, os prejuízos por um projeto não intuitivo podem ser expressivos, não só em decorrência do do tempo gasto como da rotatividade de pessoal, e pela baixa da produtividade.

Sistemas difíceis de usar implicam em erros, perda de tempo, e posterior gasto com mudanças tanto processuais como com a manutenção e ciclo de vida destes aplicativos. Estes fatores se multiplicam com a frequência das tarefas e o número de usuários. A perda de dados e informações pode implicar na perda de clientes e de oportunidades. Acontecimentos deste tipo causam desde uma resistência ao uso do sistema até a sua subutilização e abandono completo, com o devido consentimento da empresa.

Benefícios de uma boa usabilidade

Eficiência: capacidade do produto de software de permitir ao usuário atingir metas específicas como completude, em um contexto de uso específico.

Produtividade: capacidade do produto de software de permitir que seus usuários empreguem quantidade adequada de recursos em relação à efetividade alcançada em um contexto de uso específico.

Segurança: capacidade do produto de software de apresentar níveis aceitáveis de riscos de danos a pessoas, negócios, software, propriedade ou ambiente em um contexto de uso específico.

Satisfação: capacidade do produto de software de satisfazer usuários em um contexto de uso específico.

A Tendência da usabilidade é cobrir não apenas a facilidade de uso, mas assegurar funcionalidades e suporte apropriado para atividades de uso em cenário real. É considerado não somente a visão do usuário, mas do contexto de uso em ambiente de trabalho. Por isso, os novos conceitos devem estar relacionados também com os requisitos de negócio. Com isso, há um aumento de eficiência e de produtividade, pois a interface deve ser ajustada às tarefas mais comuns, permitindo ao usuário operar o software de modo mais eficiente e efetivo, se concentrando apenas nas tarefas que deve realizar e não na decodificação da interface. Além disso, um processo adequado para implementação e verificação da qualidade em uso pode reduzir erros, treinamentos e aumentar a aceitação do software.

Um software, seja uma aplicação desktop, web ou mobile oferece uma boa experiência de uso quando é eficiente, eficaz, adequado aos requisitos, agregando valor às tarefas que o usuário precisa executar e proporcionando satisfação.

Usabilidade Básica Qualidade em Uso Total
Diretivas gerais Diretivas variáveis conforme o contexto
Recomendações para o projeto diferenciadas pelo tipo de aplicação (web, mobile, etc) Recomendações para o projeto diferenciadas pelo tipo de aplicação e necessidades do projeto
Centrada na interação entre usuário e sistema Centrada na interação entre usuário, sistema e cenário real de uso
Foco na facilidade de uso Foco em todos os aspectos que asseguram a qualidade da experiência do usuário com o sistema
Refere-se à apresentação e funcionalidades relativas à interface Refere-se às características da interface, desempenho do sistema e qualidade do código
Responsabilidade maior dos designers e especialistas de usabilidade Responsabilidade de designers, programadores, gerente de projeto, especialistas de usabilidade, etc
“Usuário” refere-se ao usuário final “Usuário” refere-se ao usuário final, pessoa que fará manutenção no sistema, cliente, etc

Lacunas a serem preenchidas

Apesar de a usabilidade ser responsável por assegurar grande parte dos quesitos de experiência do usuário, ela possui duas grandes limitações:

1 – Embora considere a satisfação do usuário, trata apenas dessa satisfação perante a realização de uma determinada tarefa, concentrando-se na função, sem considerar fatores físicos, ambientais e emocionais inerentes ao contexto de utilização do sistema. Mais do que ser de fácil utilização, aprendizagem e permitir finalização da tarefa, uma boa experiência de uso está baseada em uma interação agradável, considerando a forma como as pessoas percebem a interação com o sistema.

2 – O contexto analisado pela usabilidade é mais restrito, pois abrange apenas a visão do usuário. Para garantir uma boa experiência de uso, é necessário abranger a visão de diferentes profissionais como o usuário, a organização da empresa e da equipe de desenvolvimento, cada qual com requisitos e necessidades diferentes frente ao sistema como um todo.